O teste do pezinho é feito com gotinhas de sangue do calcanhar, de preferência entre o 3º e o 5º dia de vida. Ele procura doenças que não dão sinais nos primeiros dias, mas que podem ser tratadas quando descobertas cedo. É um dos exames mais importantes da vida do bebê.
Um resultado alterado não é um diagnóstico. É um alerta que pede confirmação. Muitas vezes o novo exame vem normal. O que não pode é esperar.
O que o teste procura
No SUS, o teste do pezinho procura, entre outras, estas condições. A lista pode variar conforme o estado e o laboratório.
- Hipotireoidismo congênito: a tireoide do bebê produz pouco hormônio.
- Fenilcetonúria: dificuldade de processar uma parte das proteínas.
- Doença falciforme e outras alterações do sangue.
- Fibrose cística: afeta pulmões e digestão.
- Hiperplasia adrenal congênita: alteração nas glândulas adrenais.
- Deficiência de biotinidase: dificuldade de aproveitar uma vitamina.
Como endocrinologista pediátrica, a alteração que mais acompanho é a do TSH, o exame ligado à tireoide. É dela que vamos falar aqui.
TSH alterado: o que significa
O TSH é um hormônio que o cérebro produz para estimular a tireoide. Quando a tireoide trabalha pouco, o cérebro aumenta o TSH para tentar compensar. Por isso um TSH alto no teste do pezinho pode indicar hipotireoidismo congênito.
O hormônio da tireoide é essencial para o desenvolvimento do cérebro e para o crescimento nos primeiros anos de vida. Por isso, quando o hipotireoidismo é confirmado, o tratamento precisa começar o quanto antes, idealmente nas primeiras duas semanas de vida.
Nem todo TSH alterado é doença. Coleta muito cedo, prematuridade, bebê internado ou uso de algumas substâncias, como antissépticos com iodo, podem mexer no resultado. Por isso o exame de confirmação é tão importante.
Resultado alterado não é motivo para pânico. É motivo para agir rápido.
Por que tanta pressa?
Nos primeiros meses de vida, o cérebro do bebê se desenvolve em uma velocidade enorme. Ele depende do hormônio da tireoide para isso. Um bebê com hipotireoidismo pode parecer tranquilo e saudável, mas o hormônio pode estar faltando.
Por isso não se espera aparecer sintoma. O exame de confirmação e a consulta são feitos em poucos dias. Se a família mora longe do serviço de referência, vale perguntar à unidade de saúde como agilizar a coleta e a consulta.
Enquanto espera o resultado
- Continue amamentando normalmente, a não ser que a equipe oriente diferente.
- Guarde o papel do teste do pezinho e os exames em uma pasta.
- Anote suas dúvidas para levar à consulta.
- Se for o caso, conte à médica se a mãe tem ou teve doença da tireoide, ou usou remédio para tireoide na gestação.
Os próximos passos
Como é o tratamento no dia a dia
O comprimido costuma ser amassado e misturado em um pouquinho de leite materno ou água, e oferecido com colher ou seringa, sempre no mesmo horário. A equipe vai explicar como fazer e o que evitar perto do horário do remédio, como alguns alimentos e suplementos que atrapalham a absorção.
- Dê o remédio todos os dias, sem pular.
- Não mude a dose por conta própria.
- Leve o bebê a todas as consultas e faça os exames de controle no prazo.
- Avise a médica se o bebê vomitar logo depois de tomar, ou se estiver usando outro remédio.
Os estudos mostram que, quando o tratamento começa cedo e é seguido direitinho, a grande maioria das crianças com hipotireoidismo congênito cresce e se desenvolve como as outras. Em alguns casos, a alteração é passageira. A médica pode propor uma reavaliação por volta dos 3 anos de idade para ver se o tratamento ainda é necessário.
Sinais que merecem atenção
A maioria dos bebês com hipotireoidismo congênito parece saudável ao nascer. Com o tempo, alguns sinais podem aparecer. Eles não servem para esperar o diagnóstico, mas é bom conhecê-los.
- Icterícia, a pele amarelada, que demora a passar.
- Bebê muito sonolento, mole ou que mama pouco.
- Intestino preso.
- Choro rouco, língua grande ou barriga inchada.
Quando procurar atendimento
Procure a pediatra ou a endocrinopediatra assim que receber o aviso de resultado alterado, se o exame de confirmação ainda não foi agendado, ou se tiver dúvidas sobre o tratamento. Não espere a próxima consulta de rotina.
Leve o bebê à emergência se ele estiver muito mole, difícil de acordar, recusando as mamadas, com vômitos repetidos, febre ou dificuldade para respirar. Esses sinais pedem atendimento imediato, qualquer que seja o resultado do teste.
